Estou sozinha aqui, em frente à esta casa.
Consigo ouvir os passarinhos
lá fora implorando minha saída e o gato preto ao meu lado me encara com
pesar em seus olhos amarelos.
Uma menina pediu minha visita.
Ela quer
brincar comigo, mas eu estou receosa quanto a isso. Por que será? Eu não
sei... Sinto que é meu dever ver essa menina, saber como ela está e
porque me trouxe aqui novamente. Foi esse o motivo de eu me perder, ter
encontrado essa casa quase abandonada e ter entrado sozinha? Talvez...
Esse lugar de alguma forma me dá nojo, mas prosseguir.
A cada passo
nessa casa eu vejo a sombra dessa garota e todos os cômodos desse lugar,
que de tão grande parece mais um castelo para mim agora, parecem querer
que eu me afaste, que eu fique longe. Ou eles querem simplesmente me
matar? Digo isso por haver monstros e enigmas que por um passo falso
meu, me levaria à morte. Tudo e todos os móveis parecem ter vida própria
e talvez querem me devorar até não sobrar nem meus ossos. O gato ao meu
lado, esqueci de dizer, mas ele fala. Talvez seja minha sanidade
esvaindo ou esse gato é amaldiçoado assim como todas as coisas neste
castelo. A cada sucesso meu para o quarto da garota o gato implorava
minha desistência.
Mas eu... Desistir agora? Já cheguei tão longe...
Quero saber o motivo por ter me levado até aqui. Eu já estava perto e o
gato há muito já havia desistido de me fazer sair. O único lugar bonito
desse castelo enorme é o jardim, mas precisei ter que matar as rosas
para passar, elas eram lindas e até mesmo gentis comigo.
Esse lugar parece-me familiar, mas algo está diferente, ou quase tudo.
Cheguei
finalmente ao seu quarto. Minhas dúvidas acabariam. Observei aquele
quarto tão familiar para mim e então a garota apareceu. Foi então que
minhas dúvidas cessaram, aquela pobre e infeliz garota veio se
arrastando até mim. Pensei que ela havia achado alguma solução para
aquilo, mas só me decepcionei. Seus olhos, que agora são meros buracos
em sua face, me encaravam com as mesmas expressões de antigamente. Eu
corri? Claro que sim. Ela queria me matar... Disso eu sabia. Consegui
sair, quase sem ar de tanto correr, e ela veio atrás de mim.
Mesmo com
aquela doença dilacerando seu corpo ela acompanhou meu ritmo, mas meu
pai já havia me encontrado naquela floresta. Meu pai? Tenho direito de
chamá-lo assim? Olhei para a garota ao meu chão, eu sabia que aquele era
seu fim. Sorri para ela, mas não um sorriso angelical, foi um sorriso
demoníaco. A vi chorar sangue. Ah, minha querida Violet, seu corpo é
muito bonito. Eu amo escovar seus cachos do cabelo como se fossem meus e
viver com seu pai como se fosse meu pai. Essa doença em meu corpo me
prendia à casa e você, idiota como é, acreditou nas palavras dessa bruxa
que lhe disse para emprestar seu corpo só para eu experimentar um mundo
longe dessa doença, mas eu estou com seu corpo agora e não pense que eu
vou te devolver. Isso seria a última coisa que eu faria. Ela entendeu
tudo o que eu quis dizer apenas com esse sorriso, deve ser por isso que
chorou sangue. Ou era por causa da doença do meu antigo corpo? Não sei e
isso pouco me importa. Eu deveria dizer alguma palavra de conforto à
ela, mas seu próprio pai a matou com uma espingarda por achar que eu
estava em perigo e que ela era a bruxa. Eu sou Helena, a bruxa, e ela
Violet, mas para ele eu sempre serei Violet, sua querida e preciosa
Violet.
Colaboradora- Paloma Adolfo
Jogo da fanfic- The witch's house..

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