Marcadores

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Minha querida Violet!



Estou sozinha aqui, em frente à esta casa. 
Consigo ouvir os passarinhos lá fora implorando minha saída e o gato preto ao meu lado me encara com pesar em seus olhos amarelos. 
Uma menina pediu minha visita. 
Ela quer brincar comigo, mas eu estou receosa quanto a isso. Por que será? Eu não sei... Sinto que é meu dever ver essa menina, saber como ela está e porque me trouxe aqui novamente. Foi esse o motivo de eu me perder, ter encontrado essa casa quase abandonada e ter entrado sozinha? Talvez... Esse lugar de alguma forma me dá nojo, mas prosseguir. 
A cada passo nessa casa eu vejo a sombra dessa garota e todos os cômodos desse lugar, que de tão grande parece mais um castelo para mim agora, parecem querer que eu me afaste, que eu fique longe. Ou eles querem simplesmente me matar? Digo isso por haver monstros e enigmas que por um passo falso meu, me levaria à morte. Tudo e todos os móveis parecem ter vida própria e talvez querem me devorar até não sobrar nem meus ossos. O gato ao meu lado, esqueci de dizer, mas ele fala. Talvez seja minha sanidade esvaindo ou esse gato é amaldiçoado assim como todas as coisas neste castelo. A cada sucesso meu para o quarto da garota o gato implorava minha desistência. 
Mas eu... Desistir agora? Já cheguei tão longe... Quero saber o motivo por ter me levado até aqui. Eu já estava perto e o gato há muito já havia desistido de me fazer sair. O único lugar bonito desse castelo enorme é o jardim, mas precisei ter que matar as rosas para passar, elas eram lindas e até mesmo gentis comigo. 
Esse lugar parece-me familiar, mas algo está diferente, ou quase tudo. 

Cheguei finalmente ao seu quarto. Minhas dúvidas acabariam. Observei aquele quarto tão familiar para mim e então a garota apareceu. Foi então que minhas dúvidas  cessaram, aquela pobre e infeliz garota veio se arrastando até mim. Pensei que ela havia achado alguma solução para aquilo, mas só me decepcionei. Seus olhos, que agora são meros buracos em sua face, me encaravam com as mesmas expressões de antigamente. Eu corri? Claro que sim. Ela queria me matar... Disso eu sabia. Consegui sair, quase sem ar de tanto correr, e ela veio atrás de mim. 
Mesmo com aquela doença dilacerando seu corpo ela acompanhou meu ritmo, mas meu pai já havia me encontrado naquela floresta. Meu pai? Tenho direito de chamá-lo assim? Olhei para a garota ao meu chão, eu sabia que aquele era seu fim. Sorri para ela, mas não um sorriso angelical, foi um sorriso demoníaco. A vi chorar sangue. Ah, minha querida Violet, seu corpo é muito bonito. Eu amo escovar seus cachos do cabelo como se fossem meus e viver com seu pai como se fosse meu pai. Essa doença em meu corpo me prendia à casa e você, idiota como é, acreditou nas palavras dessa bruxa que lhe disse para emprestar seu corpo só para eu experimentar um mundo longe dessa doença, mas eu estou com seu corpo agora e não pense que eu vou te devolver. Isso seria a última coisa que eu faria. Ela entendeu tudo o que eu quis dizer apenas com esse sorriso, deve ser por isso que chorou sangue. Ou era por causa da doença do meu antigo corpo? Não sei e isso pouco me importa. Eu deveria dizer alguma palavra de conforto à ela, mas seu próprio pai a matou com uma espingarda por achar que eu estava em perigo e que ela era a bruxa. Eu sou Helena, a bruxa, e ela Violet, mas para ele eu sempre serei Violet, sua querida e preciosa Violet.

Colaboradora- Paloma Adolfo
Jogo da fanfic- The witch's house..

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Total de visualizações de página